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O que a minha viagem para o norte da África me fez pensar

No último mês de fevereiro, viajei por 3 países do norte da África: Marrocos, Tunísia e Egito. Semelhantes entre si em alguns aspectos, totalmente diferente em outros. Em relação à cultura então, posso dizer que achei quase tudo de outro mundo. Em alguns momentos da viagem eu pegava o celular e colocava na playlist de POP MUSIC, pra sentir que tá tudo bem. Eu até baixei uma playlist de músicas árabes, ouvi muito e recomendo mas, em qualquer lugar que você estiver, no ônibus ou na lojinha, você vai ouvir música árabe. Então o POP servia pra dar uma equilibrada na parada. Assim como um prato de macarrão ou uma pizza eram extremamente familiares e necessários no meio de tantos estímulos diferentes.

Brincadeiras à parte, esse choque de vida me fez pensar muitas coisas.

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Em vários momentos, bati de frente com a barreira da linguagem: como é importante a gente se comunicar bem e com clareza. Como isso faz falta quando a gente percebe que não foi bem compreendido. O árabe é o tipo da língua que não dá pra deduzir o que a pessoa está falando, é totalmente diferente. As palavras, as letras, as sílabas, a entonação. Diante desse questionamento, comecei a pensar sobre o jeito que eu me comunico, e sugiro que você faça o mesmo:

O que você pode fazer para se comunicar melhor com outras pessoas?

Falar o que pensa, sem enrolação?

Ser sincero, de verdade?

Falar com mais empatia e menos violência?

Mural em árabe (não faço a menor ideia do que está escrito), Sidi Bou Said, Tunísia

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Bem, fora a língua, a alimentação é, digamos, exótica. Gostei muito da culinária do Marrocos, principalmente do couscous original marroquino, feito com algum tipo de carne e legumes, ou somente legumes. Amei também o tajine, um cozidão, feito em panelinhas de barro super charmosas, com algum tipo de carne, ovos e legumes. Ah, e as azeitonas super-temperadas que você encontra em qualquer lugar. As oliveiras são extremamente abundantes nessa região e, aparentemente, é um aperitivo que eles gostam muito.

Na Tunísia eu experimentei uma frutinha que dá num cacto que chama Nopal. Ela tem um gosto que lembra pitaya (a dragon fruit, que também dá em cacto) com sementinhas de romã. Uma experiência incrível e que mostra a variedade imensa de alimentos que temos pelo mundo.

Já no Egito, o tradicional falafel (bolinho frito feito de grão de bico e especiarias) é maravilhoso. Porém, alguns pratos ultra-exóticos não ganharam minha simpatia. Um exemplo é carne de pombo recheada, tipo um peru de Natal. Esse é pra quem é do ramo mesmo.


Azeitonas, couscous e tajine, Marrocos

Fruta do cacto Nopal, Tunísia

Falafel delícia, Egito

Mas, dentro desse tópico, o que eu mais gostaria de ressaltar são os diferentes sabores e aromas, provenientes das diferentes ervas e especiarias muito comuns no norte da África. É um estímulo sensorial fantástico. E, justamente diante desses estímulos tão incomuns, comecei a refletir como a gente cria nossos hábitos alimentares, desde pequeno, de acordo com a cultura de onde vivemos. E como ficamos extremamente restritos à isso. Como é bom e importante experimentar sabores diferentes e criar novas associações/sensações no nosso cérebro. Por isso, continuo incentivando para quem vai viajar: deguste a culinária local (o que você se sentir mais a vontade pra comer, lógico) que isso vai ser uma experiência muito mais rica do que você imagina.

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No dia em que fui visitar as pirâmides de Gizé, no Cairo, capital do Egito, me senti muito pequena. As pirâmides são monumentais, enormes, intimidadoras. E a história por trás é absolutamente incrível, para não dizer mística.

Não vou me aprofundar em detalhes mas, quem quiser saber mais, a cultura egípcia vale a pena ser conhecida. Desde como eles construíam as pirâmides, os hieróglifos, as maldições, os faraós, até como eles encaravam a morte. Quando li mais sobre esses assuntos, me peguei pensando como realmente estamos tendenciosos a viver numa bolinha fechada e histórias, sabedorias e culturas mais antigas estão morrendo. Diante disso, recomendo que você ache algum tema nesse estilo, povos antigos, culturas perdidas e tal, e se aprofunde. Garanto que vai ser um poderoso instrumento de evolução pessoal.

Além disso, ver coisas diferentes (assim como sentir sabores e aromas fora do que você está acostumado) favorece o bom funcionamento do nosso cérebro. Tipo, não é todos os dias que você vê uma pirâmide esplendorosa, que brilha na luz do sol (sério, elas brilham), de mais de 140 metros de altura. Mas todos os dias, TO-DOS-OS-DIAS, você se depara no Instagram com padrões, corpos e poses todos seguindo a mesma linha. E o seu cérebro começa a só se acostumar com essas imagens. É a mesma coisa que fazer o mesmo tipo de exercício todos os dias durante vários anos. Chega uma hora que o seu corpo para de responder e precisa de novos estímulos para funcionar melhor.

Eu, pequenina diante da grande pirâmide

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Outra conclusão que cheguei foi que vivemos na bolha da sustentabilidade por aqui. A gente tenta fazer a nossa parte, mas as vezes não tem nem ideia do que acontece mundo afora. Eu fiquei simplesmente chocada com a quantidade de lixo e poluição que vi nos 3 países por onde passei, sem exceção. Todo tipo de lixo que você imaginar tinha na rua: comida, fraldas, absorventes, sofá, porta, cadeira, malas, roupas, papel, plástico. Principalmente no Cairo, no Egito, é deprimente. A galera joga lixo no chão tão à vontade como se estivesse no sofá de casa. O carros são muito velhos e claramente não tem manutenção, poluindo por onde passam. Eu tive falta de ar e dificuldade para respirar diversas vezes andando na rua. E pra piorar, o clima é de deserto, super seco. Bem, fica a lição de que ainda temos que evoluir, e muito, nesse tema. Vamos fazendo o que conseguimos, onde vivemos.

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O Marrocos é muito colorido: não sei se é porque eu estava de férias, num estado mais "de boas", que tive a vontade de reparar no máximo de detalhes da arquitetura e das cores marroquinas que eu conseguisse. Foi uma ótima experiência! São tantas cores, detalhes, texturas e combinações que a gente não está acostumado. E vendo minhas fotos depois, pensei o quanto de cores, detalhes, texturas e combinações no ambiente em que vivemos (nossa rua, o caminho para o trabalho, o passeio do final de semana) estamos perdendo por não estarmos totalmente presentes. Será?

Detalhes marroquinos

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Espero que as minhas reflexões te incentivem a viajar, buscar coisas novas ou simplesmente ter um olhar diferente para o dia-a-dia de sempre.

Para quem quiser saber mais sobre a minha viagem, coloquei alguns destaques nos stories do meu Instagram @wellmove, segue lá!

Beijos da nutri, Raquel :)


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