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Desde quando ser humano virou um problema

{Observação: escrevi esse texto num movimento de impulso há uns meses atrás, mais precisamente em Agosto. Só agora consegui arrumá-lo de uma forma mais compreensível, sem tantas ideias jogadas. Espero que ajude você, se estiver precisando.}


Há umas semanas atrás, uma mulher morreu após fazer um procedimento estético com um "médico", na casa dele. Quando soube desse caso, foram tantas as minhas questões, que eu não sabia nem por onde começar... a atitude do médico, da namorada e da mãe, que agiam em grupo, a ganância por dinheiro, a falta de ética, entre outros pensamentos. Mas, o que me chamou mais a atenção foi a atitude da paciente. Através de um procedimento estético, que lhe custou uma bela grana, feito sem qualquer condições de higiene, de amparo, de cuidado, ela foi buscar a perfeição, o bumbum perfeito, de acordo com os padrões atuais. Porque o bumbum humano, aquele que veio de fábrica, é cheio de defeitos. A que custo.

Logo em seguida, ocorreu o caso Demi Lovato (cantora americana), que me tocou bastante. Vou tentar explicar o por que.

Minha relação com a Demi (falo assim, como se fosse íntima, porque acho que a gente tem a tendência de desenvolver esse tipo de ligação através da dinâmica atual das redes sociais) começou há muitos anos atrás, quando eu dava aula de dança pra crianças de 5 a 12 anos em um clube aqui em SP (sim, eu já dei aula de dança \0/). Minhas alunas na época adoravam suas músicas e eu acabei conhecendo também. Fiquei sabendo que ela tinha bulimia (um tipo de transtorno alimentar) e na época eu estava terminando a faculdade de nutrição, por isso fiquei bem interessada em acompanhar a história dela.

Os anos se passaram e eu vi a Demi ir para a reabilitação, emagrecer, namorar, engordar, receber DIVERSAS críticas pelo seu corpo, mas sempre aparentemente seguindo a vida.

Então veio a notícia. Ela estava internada com uma possível overdose.

Fui dar uma olhada nas últimas músicas, notícias, publicações. Descobri seu documentário (Simply Complicated - disponível no YouTube) no qual narra exatamente a trajetória do seu transtorno alimentar, o problema com a própria imagem, o abuso de álcool e drogas. Deu para sentir o sofrimento, quase como se fosse algo palpável.

Eu sempre achei suas músicas lindas, ela dá forma aos sentimentos, e você consegue se identificar com várias. E não foi diferente com a sua última música, que revelou uma possível recaída, ela não estaria mais sóbria, como comemorou recentemente.

No documentário também é possível ver sua grande questão com a comida, ela chega afirmar que sua vida seria bem mais fácil se ela não tivesse que se preocupar com o que deve ou não comer. Sentimento esse que vejo muito no meu dia-a-dia no consultório.

Não sei ao certo afirmar se o transtorno alimentar e de imagem veio antes ou depois da questão com as drogas e o álcool. Mas isso não importa. O que eu quero dizer é: a Demi é tão humana quanto nós. Problemas na escola, bullying, questões familiares ("daddy issues", como ela mesma diz em uma música), estresse, desilusões amorosas, término de namoro, distorção da própria imagem, fraqueza, tristeza. E várias outras facetas: apaixonada, solteira, baladeira, confiante. Pense bem, todos nós já passamos por coisas parecidas. A diferença é que ela é uma pessoa pública. Tudo que acontece é noticiado e os seus sentimentos mais profundos são dissipados através das letras das músicas. Inclusive, mostrando o quão não perfeita é a sua vida.

Temos que parar de achar que existe uma vida impecável nos esperando assim que a gente tiver aquele corpo, aquele namorad@, aquele dinheiro... nós não somos perfeitos! E é legal não ser perfeito! O perfeito é muito sem graça, sem forma, sem vida. O que precisamos é aprender a lidar com todo esse turbilhão de pensamentos e sentimentos.

Quem fala que é feliz o tempo todo, que é grato por tudo e que sempre vê o lado positivo da vida, não está sendo transparente, pode ter certeza.

Muito mais real do que isso são as músicas da Demi. Procura lá e escuta.

Mas então, voltando ao começo do texto. Por que o esse caso mexeu tanto comigo? Porque eu senti uma coisa tão genuína no sofrimento dela que aliviou, de uma certa forma, todos os meus sentimentos. Me despertou a vontade de ajudar mas, como sei que não é possível, fiquei pensando como posso construir ferramentas para ajudar outras pessoas. Como esse texto, por exemplo.

Não deixe de ser humano. Tudo bem ter um corpo real, com seus "defeitinhos" e tudo mais. Tudo bem ficar triste, sozinho, se sentir fraco. Nós temos fases. Procure ajuda. Vai ficar tudo bem.


Conte sempre comigo! Beijos da nutri, Raquel

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