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Sobre abelhas, mel e Black Mirror

Um hábito constante aqui na WellMove é sempre se questionar: de onde vem, quem fez, como foi feito, qual o destino. Isso vale para qualquer coisa: um alimento, uma roupa ou qualquer outro bem de consumo. Por isso gosto tanto de conhecer e apoiar pessoas e empresas que conseguem me responder todas essas perguntas.

Em uma das minhas idas às feiras que tem como protagonistas os produtores locais e artesanais, conheci o casal lindo e simpático do Artesano Mel. E, por coincidência, tinha acabado de assistir o último episódio de Black Mirror (vejo um ponto de interrogação na sua cara. Calma, você já vai entender).

Começamos a conversar e tivemos a ideia de fazer um post juntas, falando sobre a importância das abelhas no ecossistema e como as pessoas não tinham muita informação sobre isso. E o que isso tem a ver com o último episódio de Black Mirror? Pois bem, esse capítulo é uma representação futurística (mas não totalmente impossível) sobre a extinção total das abelhas e, para substituí-las, começamos a usar abelhas drones-robôs, controladas por nós. É claro que o final disso não pode ser bom. (dá uma espiada lá no Netflix, é o último episódio da terceira temporada)

Comecei a perceber que as pessoas não relacionavam, nem sequer davam atenção à questão das abelhas retratada no episódio (que, na verdade, não é tratada como o tema principal mesmo, mas representa sim uma crítica ao modo como estamos convivendo ~ e destruindo ~ o meio ambiente).

Com o objetivo de espalhar mais informações sobre esse assunto, propus algumas questões para a querida Sâmia Torresini, do Artesano Mel, responder pra gente!


WellMove: O que você aprendeu sobre a produção do mel no Brasil a partir do momento em que começou a trabalhar com isso?

Sâmia: Desde pequenos, tanto na minha casa como na do meu marido, consumimos méis de pequenos produtores, mas pouco sabíamos sobre a produção. A produção em escala industrial, não só do mel mas de tantos outros produtos, acaba interferindo nos aspectos naturais do produto. Isto quer dizer, a produção artesanal é muito mais propícia a manter características originais do que aquela em grande escala.

Boa parte dos méis que encontramos em prateleiras de supermercados e armazéns, às vezes até em feiras, são alterados, ou seja, adicionados de água, açúcar ou até xaropes, ou são super-aquecidos. Tudo isso para evitar que cristalize ou mude de cor. O consumidor foi “ensinado” a consumir somente mel muito doce, sempre em textura líquida e brilhosa, mas os méis de verdade possuem diversas variações de cor, textura e sabor e são muito mais saborosos do que o mel ~diga-se~ industrializado. Além disso, muitos pequenos produtores dependem dos entrepostos para conseguir vender o mel a um público maior e, infelizmente, sabe-se que muitos (não todos) entrepostos misturam méis, adicionam elementos ao mel, super-aquecem o mel para evitar a cristalização… Uma pena!

Agora por que a indústria faz isso com o mel?

Porque mel extraído através do manejo natural rende menos, mas prejudica menos a natureza e as abelhas.

Porque mel cru cristaliza mais rápido, mas possui todas suas propriedades intactas.

Porque mel puro não tem sabor padrão, mas tem sabor verdadeiro.

Porque pequenas produções oscilam em quantidade de mel disponível, mas mantém sempre alta qualidade.

Para nós, nada é mais importante que isso.


WellMove: O que você pode nos dizer sobre a possível extinção das abelhas e por que elas são tão importantes?

Sâmia: É evidente que este é um problema global, mas nem todo mundo tem a dimensão disso. O desmatamento, as mudanças climáticas e a superexploração da natureza prejudicam muito as abelhas. Elas são extremamente importantes para que o ciclo de polinização de diversas plantas, ciclo este que mantém o equilíbrio da biodiversidade no planeta Terra. Sem a polinização, cerca de 1/3 dos alimentos que nós consumimos não conseguem ser produzidos nem reproduzidos! (entenda mais sobre isso no link http://www.semabelhasemalimento.com.br/home/polinizacao/)

No nosso caso, prezamos por trabalhar com produtores que utilizam uma forma de extração mais manual, evitando que abelhas sejam machucadas durante o processo, além disso, a quantidade de mel que se extrai da colmeia não pode ser abusiva, a ponto de prejudicar a alimentação das abelhas. Tudo é uma questão de respeito, consciência e bom senso. Isso vale para tudo na vida, não é?!


WellMove: Como orientar o consumidor para escolher um bom mel?

Sâmia: Primeiro de tudo: ver os ingredientes. No caso do mel, não tem segredo, só há um: MEL DE ABELHAS.

Segundo, mel puro tem cheiro de flor, de mata…

Outro ponto importante, mel de verdade vai (e deve!) cristalizar mesmo sendo guardado em temperatura ambiente - a velocidade de cristalização vai depender de vários fatores, como clima, umidade, temperatura, mas em alguns meses o mel deve cristalizar sim.

E mais importante, se você tiver a oportunidade, converse com o produtor ou vendedor do mel, pergunte, cheire e prove o mel. Quando a gente prova mel de verdade, não se engana mais!


Optar por não consumir mel por ser um alimento de origem animal é uma escolha pessoal e devemos respeitar! Para quem consome, é importante saber de onde vem e como foi produzido para minimizarmos os danos ao meio-ambiente.

O mel é um alimento considerado como remédio da natureza em diversas linhas medicinais. Se você gosta mas não sabe como incluir no seu dia-a-dia, vem com a gente fazer esse curso de culinária só com receitas funcionais com mel, na Leve Escola! Delícia ou não é, gente?! Mais informações em breve :)


Espero que tenha sido esclarecedor e que vocês tenham gostado!

Beijos da nutri, Raquel

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