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Sobre o documentário COOKED


Episódio 1 - Fogo


Comecei (finalmente) a assistir o documentário do mestre Michael Pollan, baseado no livro dele (no Brasil foi traduzido para Cozinhar, Uma História Natural da Transformação), disponível no Netflix.

Para quem não sabe, o Michael (queria eu ser íntima, risos) é um jornalista super mega estudioso e referência quando o assunto é alimentação, nutrição, o que comemos, como comemos, porque comemos.

Esse primeiro episódio da série traz muitos assuntos relevantes e interessantes, mas que também podem causar certa polêmica.

Logo no começo são mostrados alguns dados históricos como, por exemplo, que a espécie humana é a única que cozinha de fato (pense, os animais não fazem isso, nem as plantas). E foi justamente por desenvolver essas habilidades que o nosso corpo foi capaz de evoluir até chegar onde chegamos hoje.

Conforme os primatas foram aprendendo técnicas básicas (aquecer, cozinhar, assar), o nosso corpo foi se modificando: não tínhamos mais músculos tão fortes nas mandíbulas e os dentes e a boca foram ficando menores; paralelamente, o cérebro começou se desenvolver e aumentar de tamanho. Tudo isso porque os alimentos cozidos demandam menos energia do nosso corpo para mastigação e digestão. Compare com um animal ruminante, por exemplo, ele passa mais da metade do dia mastigando e isso gasta muuiita energia. Portanto, poupar esse gasto fez com que usássemos essa energia para modificar/evoluir partes do nosso corpo. O Pollan diz, inclusive, que se não fosse esse ponto crucial na evolução não seríamos como somos hoje. (hum, será que não seria melhor? risos).

Uma parte bem legal traz questões como "o que ato de cozinhar realmente significa". Significa amor, entrega, carinho, união, cultura, generosidade... Isso é lindo. E com o passar do tempo perdemos todos esses adendos que envolvem a cozinha. Notem, que engraçado, hoje em dia não gastamos quase nada do nosso tempo cozinhando, mas vendo os outros cozinhando na TV, em competições por exemplo. E, ah! Isso é o must. Amigos se reúnem, torcem, opinam, debatem, seguem os participantes no Instagram... Mas cozinhar que é bom, não dá tempo.

Outra parte muuiito legal é quando ele fala sobre procedência. De onde vem a sua comida? Uma pergunta tão básica, chega a ser besta. Mas, piores são as respostas: do supermercado, do armário da minha casa, da minha geladeira. Ué, não é? Não. Um desconto vai, porque acho que isso é fruto da falta de informação que nos assombra hoje. As pessoas não são burras, nem estúpidas, nem ignorantes. Falta informação de qualidade e de verdade circulando por aí. Vi essa semana o muso Jamie Oliver falando sobre isso e eu mesma já falei algo parecido no meu outro texto Ser Nutri.

Ainda nesse assunto, são mostrados locais que se preocupam em dar uma vida melhor aos animais que servirão posteriormente para o consumo humano. Não é só porque esses animais vão morrer precocemente que eles precisam ter uma vida ruim e estressante. Mais um ponto para a questão: de onde vem a sua comida? Como são tratados os animais que você come?

Agora vem a parte polêmica (xii...). Com todos esses dados e fatos, o documentário se mostra ligeiramente contrário a práticas como alimentação viva (na qual todos os alimentos são consumidos crus ou "cozidos" a, no máximo, 40 graus Celsius) e vegetarianismo (sem alimentos provenientes de animais).

Em relação à alimentação viva, o fato de consumirmos quase tudo praticamente cru não seria compatível com a ideia de que cozinhar os alimentos faça parte da nossa evolução.

Já sobre o vegetarianismo, o autor defende a hipótese de que uma agricultura realmente sustentável envolve a criação de vegetais e animais juntos! O ciclo de nutrição da natureza funcionaria da seguinte forma: as plantas alimentam os animais que, através de seus excrementos, fornecem adubo para as plantas. Portanto, focar o consumo somente nos vegetais não seria sustentável para o planeta.

Independente dos extremos, acho que o resumo desse primeiro episódio é: vamos olhar para as tradições/costumes/crenças e absorver tudo o que elas tem de bom para nos dizer. Com qual nos identificamos mais? Cozinhar, fazer um churrascão, não comer carne, consumir somente alimentos crus... O que essas práticas nos trazem de benefícios e qual o seu impacto no planeta? Podemos equilibrar? É um pensamento que vai muuuiiito mais além do convencional. E ainda estamos bem no início dessa reflexão...

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